Receita de almôndega artesanal

(Imagem: Erik Pzado Araújo)

Apesar da facilidade proporcionada pelos alimentos industrializados, é muito mais saudável prepará-los nós mesmos. É mais fácil abrir um pacotinho, colocar no micro-ondas, no forno, mas nada se compara a saber com que ingredientes estamos preparando o que levamos à boca. A praticidade às vezes vence o cansaço, mas a quantidade de aditivos, a qualidade da matéria prima, tudo isso gera algum desconforto mais tarde.

Hoje vou trazer uma receita caseira bem simples e fácil de fazer em casa. Você pode preparar as almôndegas e congelá-las, o que acaba sendo tão prático quanto comprá-las em caixinhas.

Ingredientes

- 300 g de carne moída (peça ao açougueiro para moer a carne diante de você);

- 1 ovo;

- 1 colher de sopa de farinha de trigo;

- 1 colher de sopa de extrato de tomate;

- 1 Cebola pequena ou média;

- Pimenta do reino a gosto;

- Sal a gosto.

Modo de preparo

- Em um recipiente coloque a carne moída, o ovo inteiro, o extrato de tomate, a cebola bem picadinha, o sal e a pimenta a gosto;

- Misture todos os ingredientes com uma colher grande ou com as mãos, devidamente higienizadas, para que os ingredientes fiquem bem aderidos;

- Depois de obter uma mistura bem homogênea, com uma colher de sopa, pegue esta mistura de carne com os demais ingredientes, e comece a preparar as almôndegas;

- As almôndegas podem ser congeladas. Caso não queira congelá-las, mas servir logo em seguida, coloque-as no forno, em uma assadeira anti-aderente. Não é preciso untar a assadeira e se o fizer, use pouco óleo;

- As almôndegas assadas ficam mais saudáveis que as fritas, obviamente. Se for prepará-las no forno, vire-as de vez em quando para que sejam assadas de forma homogênea. Depois, pode comê-las com ou sem molho.

Bom apetite!


Comer fora de casa durante a reeducação alimentar

(Fernando Botero)

A grande maioria das pessoas associa a reeducação alimentar a um processo doloroso, que, inclusive, interfere na vida social do indivíduo. Quando alguém inicia um processo de perda de peso automaticamente pensa que as saídas para comer fora serão abolidas do cotidiano. Reeducação alimentar não tem haver com restrição, mas com escolhas, quantidade e principalmente disciplina, o que não impede que tenhamos uma vida normal.

No tempo em que ainda era possível fazer as refeições em casa e depois voltar ao trabalho, o controle era mais fácil. Hoje, no entanto, se você não mora em uma cidade pequena ou se não trabalha em casa, não restam muitas opções. Algumas pessoas preparam suas refeições e levam para o trabalho. Outras, que não têm tempo para preparar as refeições, acabam tendo mesmo que comer em restaurantes perto do trabalho. Apesar de muitos afirmarem que os restaurantes a quilo são destruidores de dieta, não podemos perder de vista que a responsabilidade do que colocamos em nosso prato é inteiramente nossa. O restaurante a quilo oferece opções variadas e, se soubermos escolher o que comemos, esta acaba sendo uma opção até mais inteligente que os restaurantes que servem pratos executivos ou que trabalham com serviço a la carte. Isto para o dia a dia, para o trabalho.

Nos fins de semana, quando as pessoas geralmente saem sejam para almoçarem ou jantarem fora, toda a disciplina aplicada durante os dias anteriores parece desaparecer. Não é necessário se trancar em casa e lamentar que o fim de semana chegou. Sair, comer fora, sociabilizar-se é parte da vida e não é saudável abrir mão deste momento de descontração. Se o combinado é ir a um rodízio, faça refeições mais leves durante o dia e na saída para o restaurante não precisa exagerar na quantidade do que se ingere. Talvez seja apenas esse ponto que deva ser repensado. Ir a um rodízio não significa enfiar o pé na jaca. Comer é uma necessidade vital e social, mas tudo em excesso acaba virando sobra.

Comer fora tem haver com ser estratégico. Se dá para escolher onde ir, com opções mais saudáveis, obviamente fica mais fácil administrar este momento tão crítico para muitos. Se a opção é definida pela coletividade, seja responsável consigo mesmo e cuide do que irá para seu prato. Apesar de estarmos em grupo, em matéria de alimentação precisamos escolher e pensar como indivíduos, até porque cada corpo tem sua dinâmica e responde de forma distinta a um alimento, portanto não se prive! Apenas faça escolhas responsáveis e aproveite o momento!

Abraços,

Jana.


Purê de abóbora

Para acompanhar um peixe grelhado nada melhor que um purê. O purê mais óbvio com certeza é o de batata, mas dá pra fazer com frutas, outros tubérculos, legumes, etc. Dá pra fazer purê de banana da terra, maçã, cenoura, mandioquinha (batata baroa), entre tantas outras opções. Hoje vou trazer a receita deste prato feito com abóbora.

Purê de abóbora

Purê de abóbora

Ingredientes:

- Água para cozinhar a abóbora;

- Abóbora japonesa;

- Leite desnatado (50 ml ou menos);

- 1 colher de sopa rasa de margarina light;

- Sal a gosto.

Modo de preparo:

- Coloque água suficiente para cozinhar a abóbora em uma panela e deixe ferver;

- Quando ferver, abaixe o fogo e coloque a abóbora para cozinhar;

- Adicione um pouco de sal à água;

- Para saber se a abóbora está cozida, espete-a com um garfo. Se o garfo entrar facilmente, é o ponto;

- Escoa a água, amasse a abóbora com um garfo ou use um espremedor de batatas;

- Em uma panela em fogo baixo, derreta a margarina, adicione a abóbora já amassada, o leite, sal a gosto e misture bem. Quando estiver homogêneo, tire o purê da panela, coloque em um recipiente e sirva (eu costumo polvilhar um pouco de queijo ralado para gratinar um pouco).

Bom apetite!


Emagrecer com segurança

Um dos pontos preocupantes para o indivíduo, que decide emagrecer, é justamente não deixar o corpo entrar em desequilíbrio. As pessoas que iniciam um processo de perda de peso, devido a questões de saúde, geralmente optam pelo caminho mais seguro, que é procurar ajuda profissional de um nutricionistas. Muitas pessoas, que optam por perder peso por questões estéticas, diversas vezes procuram o caminho mais curto, que quase sempre envolve altas doses de agressões ao organismo.

Dietas de líquidos, dietas só de proteínas, dietas compostas apenas de frutas, etc., todo tipo de dieta restritiva está necessariamente ligada à supressão de elementos importantes para a manutenção de nosso organismo. O corpo necessita de proteínas, carboidratos, lipídeos, vitaminas, sais minerais, fibras. Cada grupo destes é necessário para o bom funcionamento do organismo humano e não adianta cortar uma coisa aqui, outra ali. Seu corpo precisa de proteínas para a manutenção de suas células, assim como precisa dos lipídeos para a composição dos hormônios e dos carboidratos para gerar energia para enfrentar o dia a dia. Exagerar em um elemento e restringir drasticamente outros acaba desencadeando algum tipo de desequilíbrio e o corpo dá sinais.

O ideal é que as refeições sejam feitas contemplando todos os grupos. Um prato equilibrado reflete mais tarde um corpo em equilíbrio, que não está necessariamente ligado a questões referentes a peso. Refeições equilibradas, que contenham proteínas, carboidratos, lipídeos, vitaminas, fibras e sais minerais garante a saúde do corpo. O emagrecimento não tem haver com supressão destes elementos, mas com o controle da ingesta calórica. Não é deixar de comer, é comer de forma consciente. Se você tem o hábito de exagerar nas proteínas ou nos carboidratos, o caminho não é suprimi-los, mas entender a importância de cada um e procurar, se possível, um nutricionista, que poderá mensurar a sua necessidade diária de cada elemento. O que definitivamente não se pode perder de vista é que a perda de peso, seja por motivos de saúde ou até mesmo estéticos, deva acontecer com segurança, sem causar danos à dinâmica de seu organismo.


MTV Debate: conversa sobre obesidade

Como o blog já estava desatualizado há algum tempo, acabei nem postando minha participação no programa MTV Debate no início deste mês. Quando fui convidada para participar do programa, topei por uma razão forte: era uma oportunidade grande de por em discussão uma série de pontos sobre o cotidiano do obeso, sobre o preconceito que enfrentamos, sem que isso necessariamente nos distancie da possibilidade de vivermos como qualquer pessoa considerada normal, inclusive questiono este conceito de “normalidade”, que tantos adoram repetir.

Janaína Calaça, Léo Madeira e Diogo Brasil. MTV Debate.

Janaína Calaça, Léo Madeira e Diogo Brasil. MTV Debate.

O convite era para participar de uma matéria juntamente com o Léo Madeira e com mais um gordinho, o Diogo Brasil, estudante de jornalismo. Na matéria, mostraríamos algumas situações cotidianas como pegar um ônibus, um metrô e discutir questões referentes ao nosso estar no mundo. A matéria gerou um bate papo bacana, que espero ter servido para pensarmos um pouco sobre nosso cotidiano.

Janaína Calaça, Léo Madeira e Diogo Brasil. MTV Debate.

Janaína Calaça, Léo Madeira e Diogo Brasil. MTV Debate.

Em um dos momentos da matéria, falo rapidamente sobre o movimento Fat Pride. Como já disse várias vezes aqui no Mini, cuidar da alimentação, manter-se saudável e ao mesmo tempo lidar com o fato de que sempre fui gordinha, para mim nunca serão antagonismos. Minha decisão em perder alguns quilos está associada ao fato de sentir que o joelho já tá dando problemas e por ter um histórico de família de cardíacos. Fora isso, minha auto-imagem sempre foi essa, renascentista, logo convivo muito bem com as duas coisas!

Bom, agora vou deixar de embromação e convido vocês a assistirem a matéria. É só clicar na imagem abaixo.

Conversa sobre obesidade. Diogo Brasil, Léo Madeira e Janaína Calaça. MTV Debate.

Abraços,

Janaína Calaça.


Fracionamento das refeições é importante para o emagrecimento

Ao contrário do que muitos pensam, fracionar as refeições é sim importante para o emagrecimento. O ideal é que pelo menos sejam feitas 6 refeições por dia: 3 principais (café da manhã, almoço e jantar) e mais três refeições menores (colação, lanche e ceia).

O fracionamento das refeições impede que as pessoas exagerem nas refeições principais e ingiram mais calorias do que deveriam ingerir. Se você toma seu café da manhã, por exemplo, às 7 da manhã e almoça às 12 horas, é importante que entre uma refeição e outra um lanche seja inserido, para que, na refeição seguinte, a sensação de fome não seja tão grande e para você não exagerar e acabar chutando o balde.

Não existe receita de bolo para emagrecer, mas há dicas que ajudam bastante no processo de emagrecimento e o fracionamento é um deles. Com refeições intermediárias, você otimiza o seu metabolismo, deixando-o menos lento. Quando o corpo começa a perceber que há uma distância muito grande entre uma refeição e outra, ele começa a reduzir seu metabolismo, para economizar energia até a próxima refeição, por isso, meu povo, nada de ficar horaaaaaas a fio sem comer.

Beijão

Jana.


Fat Pride não é apologia à obesidade

Ciranda RosaVerde

(Ciranda Rosa Verde - R.Kioko)

Ultimamente tem se falado muito sobre o Fat Pride, que, traduzindo, significa Orgulho Gordo. O movimento Fat Pride já existe há alguns anos nos Estados Unidos, mas a mídia brasileira só o descobriu recentemente. Depois de descoberto o pote de ouro, algumas reportagens, como a do Fantástico, aconteceram com ares de grande novidade e abriu as portas para discussões e entre elas a mais famosa… O Fat Pride é ou não é apologia à obesidade?

Acho interessante como muita gente abre a boca para repetir frases feitas. O povo acha bonito dizer… “Olha só, eles estão fazendo apologia”… Às vezes nem sabem o que é apologia, mas fazer o que? Senso comum é uma maravilha, meu povo! Mas como eu ia dizendo, não há nada de apologia em buscar um espaço neste mundão, que vive tentando nos dizer, indiretamente ou diretamente mesmo, que temos que nos adequar. Seja pelos assentos apertados no avião, seja nas roupas de tamanho até o 46 na maioria das lojas, seja no olhar reprovador quando vamos à praia ou quando estamos caminhando felizes com quem gostamos ao lado. Parece que o tempo todo pedimos licença e aprovação e se dizemos que somos felizes, alguém (estúpido, obviamente) afirma que nenhum gordo é feliz! Como não??? Felicidade é algo extremamente subjetivo e sou feliz sim!!! Sou feliz porque tenho uma família que amo, bons amigos, porque estou viva, porque viajo, porque tenho bom humor e por outras tantas razões! Apesar de ter me disposto a perder uns quilos, isso nada tem haver com promessa de felicidade, mas sim para sair da zona crítica da obesidade grau III, que pode me fazer desenvolver alguns problemas como Diabetes tipo 2 e hipertensão.

Há muitas pessoas gordas com a saúde em dia. Pessoas que cuidam da alimentação, mas que não conseguem emagrecer por razões diversas. A obesidade é e sempre foi uma doença multifatorial, que pode envolver problemas hormonais inclusive. Há pessoas com o metabolismo mais lento e assim por diante. Com o movimento Fat Pride ganhando uma certa visibilidade, os discursos prontos aparecem e haja saco para tanta besteira proferida. Para mim, é um movimento legítimo, que não está aqui para convencer ninguém a ser obeso, até porque ninguém é obeso por escolha. O movimento está aí para humanizar as relações, para mostrar que temos vida e que esta vida é normal! Vivemos, trabalhamos, estudamos, amamos, fazemos sexo, viajamos, vamos à praia, cuidamos do nosso corpo e de nossa mente. O Fat Pride está buscando, como todos os movimentos que visam tirar grupos da posição de marginalizados, respeito principalmente e não aceitação. Ninguém, repito, está fazendo apologia à obesidade, mas está buscando o respeito negado a quem é obeso e que, todos os dias, sofre com o preconceito e com a estupidez da nossa sociedade made in salas de cirurgia.

Pode parecer paradoxal um blog sobre emagrecimento assumir ter orgulho por ser gordo. Eu tenho! Fábio tem! Principalmente, porque acima de qualquer rótulo aprisionante somos seres humanos. Como disse e repito, meu foco não é ser feliz depois de emagrecer. Sou feliz todos os dias, mesmo naqueles dias em que tudo parece dar errado! Quero apenas cuidar mais de minha alimentação e me afastar de doenças oportunistas, mas renunciar o que fui durante toda minha vida? Nunca! Mesmo perdendo alguns quilos, ainda serei gordinha e pretendo continuar assim. E faço coro com o restante dos gordos bem resolvidos! Tenho orgulho de ser o que sou e os incomodados que fiquem aí… a esperar pela felicidade da calça jeans tamanho 38.


Reeducação alimentar: devagar e sempre!

O título acima não foi colocado à toa! Quando pensamos em reeducação alimentar precisamos levar em conta principalmente estes dois pontos: que reeducar-se leva tempo, é um processo lento e gradual e que precisa de manutenção, como mesmo disse, para sempre!

FernandoBoteroPicnic

Imagem: Fernando Botero

Há uma diferença gigantesca entre quem opta por fazer dietas de perda de peso rápida e quem opta por seguir uma reeducação alimentar. Dietas restritivas e dietas desbalanceadas podem até fazer o indíviduo perder peso, mas, com certeza, não o fará manter. A idéia da dieta pura e simples sempre é associada a questões como perda de peso emergencial e a tempo estimado para seu fim. A reeducação alimentar não! Como mesmo disse anteriormente, reeducar-se em termos alimentares indica conhecimento dos alimentos, orientação por parte de profissional competente, como por exemplo nutricionistas, vontade de mudar hábitos e principalmente necessita de disciplina e de consciência, por parte de quem faz, que aquilo precisa ser mantido para toda a vida.

Este blog já tem mais de 2 anos no ar e, quem o acompanhou desde o início, sabe que durante vários meses mantive um programa de reeducação alimentar disciplinado. Como consequência, cheguei a perder mais de 25 quilos na época. Destes 25 quilos, só mantive 10 perdidos, justamente por não ter em mente, na época, que a reeducação alimentar não pode ter data para terminar. É algo que precisa de manutenção a vida inteira. Hoje estou retomando meu caminho, me disciplinando novamente e, como tenho um histórico familiar que abarca não somente problemas cardiovasculares, assim como diabetes, preciso encarar a reeducação como uma forma de me manter viva e saudável e não por motivos fúteis, como caber em calças jeans e afins.

Às vezes enacaramos o cuidado com a alimentação como algo que está fora da nossa rotina, algo extra e na verdade o cuidado com aquilo que levamos ao corpo deveria ser um ponto de atenção. Assim como cuidamos, todos os dias, das relações afetivas para que elas não se deteriorem, a escolha, a atenção dada aos alimentos reflete também na manutenção e na qualidade de nossa vida. Por isso, como tudo que precisa de esforço e dedicação contínua, seja relacionamento, seja trabalho, a reeducação alimentar também necessita acontecer de forma gradual, sem atropelamentos e tendo em vista principalmente um ponto… Que todo trabalho pode ser jogado no lixo, todo o investimento pode se perder, se não nos atentarmos para a manutenção, para o sempre!

Beijos,

Jana.


Dica de livro: A alquimia dos sabores

ALQUI

Estava organizando o material de Nutrição e (re)encontrei um livro, que utilizamos durante o curso  e que é muito interessante para quem está comprometido em mudar a alimentação. Quando decidimos aplicar mudanças em relação àquilo que comemos, é interessante que conheçamos um pouco mais sobre os alimentos e este livro é bem didático e foge da linguagem técnica, por isso resolvi indicá-lo.

O livro “A alquimia dos sabores: a culinária funcional”, de João Curvo, traz o conceito de alimentos funcionais, que seriam aqueles que “além de nutrir, ajudam a prevenir e tratar doenças”. O autor traz uma lista de alimentos funcionais e quais os benefícios trazidos através de seu consumo. Outro ponto tocado pelo autor está relacionado ao controle do “colesterol bom” (HDL) e do “colesterol ruim” (LDL) e da glicemia através de mudanças simples na alimentação.

Além de situar o leitor em relação às mudanças que ele pode aplicar em seu cotidiano, há uma série de receitas que levam alimentos funcionais em sua composição, sugestões de cardápios e um programa alimentar de uma semana, para ajudar o corpo a iniciar seu processo de equilíbrio.

Fica a dica então deste livro! Como disse, a leitura é fácil e com certeza auxiliará quem está disposto a rever sua alimentação.

Beijos

Jana.


Sou gordo, mas… Mas o que???

cara e caretas cicciottela

(Cara e caretas - R. Kioko)

Outro dia, eu estava passeando por algumas comunidades do orkut e algo me chamou bastante a atenção. Há várias (não são poucas não!!!!) comunidades voltadas para gordinhos, cujos títulos são sempre pontuados pela conjunção adversativa “mas”. “Sou gordinha, mas sou gatinha”, “Sou gordinha, mas faço gostoso (tosco isso!)”, “Sou gordinha, mas sou linda”, “Sou gordinha, mas sou feliz”, “Sou gorda, mas sou bonita”, e assim por diante. Não vai dar para listar a quantidade de comunidades que giram em torno do mesmo tema.

O que me deixa talvez mais estupefata é o fato de que as pessoas entram nessas comunidades! Se a intenção era levantar a auto-estima… Desculpe! Mas não é com uma palavra colocada estrategicamente no meio, para justificar nossa existência no mundo, que isso vai acontecer. O aparente inofensivo “mas”, tão majestosamente inserido no meio de duas afirmações, “sou gordinha” e “sou bonita”, não vem para acrescentar nada, mas para justificar o injustificável. “Sou gordinha, mas posso ser bonita, viu?”. Francamente! É assim que as pessoas se constroem para o mundo? Como alguém que precisa sempre colocar um pé atrás em relação à sua própria identidade? Parece até que se alguém questionar a beleza do indivíduo, ele terá como sair pela tangente porque o “mas” vai tirá-lo de uma aparente saia justa!

Para se lutar contra o preconceito, contra a marginalização, acredito que este não é o melhor caminho. Não é nos colocando em cima do muro que conseguiremos respeito. Aceitação por parte dos outros, não! Respeito. Se auto-referenciar desta forma, procurando justificativas para ser parte da sociedade, não ajudará ninguém a enfrentar a estupidez alheia, logo, nada contra as boas intenções destas comunidades, mas acredito que em vez do “mas”, tenhamos coragem de assumirmos nossas diversas identidades sempre com um caráter de adição envolvido. Sou gordinha e sou bonita, em vez de sou gordinha, mas sou bonita. A diferença pode parecer miníma, mas o impacto das palavras em nossa auto-estima é grande. Eu ainda vou mais longe. Para mim, o melhor é se despir de todos os rótulos e viver cada dia. No momento que nos rotulamos, limitamos a forma como nos vemos e como os outros nos vêem também. Quero ser múltipla, quero ser plural, mas se você ainda tem a necessidade de rotulagens, livre-se do pé atrás, do “mas” e assuma, principalmente,  que você é tudo o que acredita ser, sem precisar de explicações e desculpas.

Jana.