Adaptação, a palavra mágica – parte 1

Dietas rigorosas, aquelas com restrições a certos grupos alimentares, seguidas à risca costumam dar certo por um determinado tempo, que pode variar de algumas horas a alguns meses, trazendo resultados visíveis em pouco tempo. O mesmo pode ser aplicado a alguns programas de reeducação alimentar, desde que seguidos direitinho, como manda a cartilha.

Eu mesmo cheguei a utilizar os dois métodos (dieta de restrição e reeducação alimentar), tendo sucesso por determinado tempo, perdendo muito peso. Então chega um momento onde se acha que está tudo indo muito bem, e a coisa começa a relaxar. Ou ainda, bate uma tremenda frustração ao ver que comer aquela muqueca de camarão, que de tão gostosa chega a ser pornográfica, que além de te fazer engordar, vai cair muito mal num organismo que teve que se adaptar as novas normas alimentares restritivas.

Fiz a dieta da sopa, a de comer só uma vez por dia, tentei me reeducar com os Vigilantes do Peso, entre outras coisas. Cheguei a cogitar o início de uma dessas dietas modernas como a dieta de South Beach, ou a dieta do tipo sanguíneo. Mas desisti, por causa das frustrações com dietas anteriores, e sabia que ao menor descuido teria engordado tudo de novo.

De todas a metodologias que tentei, a do Vigilantes foi a tinha sido melhor, pois tratava de reeducação alimentar, porém um trabalho de reeducação alimentar como esse requer uma certa dose de disciplina, e, quer queira, quer não, um certo índice de privação.

Pra quem não conhece, o programa consiste em atribuir pontos aos alimentos, como por exemplo: alface vale 0, um bife de contra-filé magro vale 3, uma concha de feijão 2, um mísero brigadeiro também 2, e uma peça de picanha-suculenta-com-4-dedos-degordura é igual ao rei no jogo de xadrez: tem valor absoluto.

Com base nisso, a pessoa deve ingerir diariamente uma quantidade de alimentos que esteja dentro de sua faixa de pontuação, que varia de acordo com o peso. Quem pesa mais come mais, e a medida que vai emagrecendo, a faixa de pontuação vai diminuindo. Cada faixa tem um limite diário mínimos e um máximo. Uma pessoa com 138kg, em teoria, deveria comer no mínimo 30 pontos e no máximo 36.

Aparentemente isso parece ser bacana, mas de acordo com o ritmo de vida que se leva pode-se criar algumas frustrações e desenvolver algumas paranóias.

São coisas como quando o dia vai chegando ao fim, você fica com apenas 2 pontos de saldo depois do jantar, e um amigo te liga dizendo que comprou algumas cervejas, e vai botar uma carne pra assar ainda nesse mesmo dia, para comemorar alguma coisa bacana que aconteceu com ele, como um emprego novo ou o nascimento de um filho. Você diria que não iria por que só tem 2 míseros pontos disponíveis ou, iria e ficava bico-seco e/ou bucho vazio, afinal uma lata de cerveja, se não me engano, tem 4 pontos, ou iria e tomava todas e que se fodam o pontos?

Esse é o caso que certamente vai resultar em frustração, independente da decisão tomada. As 2 primeira opções acabam frustrando antes, pois comida e bebida não são apenas nutrientes para o corpo, são também fatores de integração social e você, por causa de 2 pontos, fica triste por não poder participar.

Com a opção número 3, a frustração vem depois, abraçadinha com um forte sentimento de culpa. Você acaba se sentindo um completo estúpido, por não ter consiguido resistir e acabou sucumbindo a tentação, e no fim das contas acaba entrando em depressão, e comete suicídio se jogando do alto de um prédio. Então você fica conhecido como “aquele-gordo-fracassado-que-se-matou-e-atrapalhou-o-trânsito”.

Vamos supor então que você desistiu de se jogar, porém não quer mais se sentir frustrado outra vez. Nesse momento entra a paranóia. Você acaba surtando, fazendo contas e mais contas sobre o que comer e o que não comer, chegando ao ponto de tornar habitual o sacrifício de refeições, para que possa ter alguns pontos para uma eventual emergência gastronômica no fim do dia.

Tudo isso decorre, por suposição minha, da forma erronêa como as pessoas vêem uma dieta. Todo mundo tenta se adaptar a uma dieta, seja ela qual for, mesmo que isso traga mudanças radicais ao seu estilo de vida. A pessoa não deve se adaptar a dieta, e sim o contrário, a dieta é que deve ser adaptada ao modo de vida da pessoa.

Peguemos então como exemplo um profissional de TI, assim como eu, que muitas vezes precisa trabalhar em horários diferenciados como finais de semana e madrugadas, sendo que algumas dessas não dá pra saber com antecedência quando irão acontecer.

As opções alimentares nesse caso ficam restristas ao que tiver disponível para delivery como pizza ou comida chinesa, e a pessoa acaba saindo da dieta para não ficar com fome, pois como acontece com muita gente, é muito difícil raciocinar com fome.

A solução então é fazer como o Software Livre, adaptar uma dieta (ou várias delas) ao seu estilo de vida. No próximo post, falarei sobre minhas experiências com uma adaptação de uma das dietas do Vigilantes do Peso, esperando que isso possa ser útil para alguém que esteja em situação parecida e possa tomá-la como ponto de partida.

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One Response to “Adaptação, a palavra mágica – parte 1”

  1. [...] quem não leu o post anterior, ou estiver afim de recapitular, falo da necessidade de se ter dietas adaptáveis ao estilo de vida e não estilo de vida adaptável as [...]

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