Problemas pessoais não podem virar sinônimo de fuga para a comida


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Dificilmente um ser humano, quando está passando por um momento complicado na vida, não acaba encontrando na fuga um meio de se alienar dos problemas. Uns descontam na comida, outros dormem, uns saem e gastam até o dinheiro que não têm, enfim, as situações são múltiplas e o leque de opções de evasão é maior ainda.

Durante muito tempo, descontei problemas, aborrecimentos, frustrações, tristezas na comida. A questão é que depois de superado o problema, eu estava já com outro para lidar. Como curar um mal? Substituindo por outro? É este o caminho?

Eliminar hábitos não é fácil, mas se não nos esforçamos para pelo menos tentar mudar algo que é definitivamente prejudicial, continuamos alimentando um ciclo e os ciclos sempre nos fazem passar pelos mesmos pontos. Uma das coisas que sempre fiz foi usar a desculpa de que engordei por problemas pessoais, até ver que eu não poderia usar a comida como paleativo para o meu problema com a obesidade. Fábio e eu tivemos que bater um longo papo para decidirmos entrar nessa e jogar este hábito no lixo. Estamos conseguindo e espero que nada disso acabe ruindo.

Minha vó não está bem mesmo. A cada dia que passa o quadro fica mais complicado. Há 4 anos perdi meu avô, vítima de câncer e ninguém está profundamente preparado para lidar com a idéia de morte te rondando o tempo todo. Cada vez que entro na CTI e vejo minha vó na situação que está, meu otimismo desce para o pé. E só resta a impotência diante disso. Só resta esperar que ela seja mais forte do que imaginamos. Só resta esperar.

Em outro momento de minha vida, eu já teria caído na tentação de me afundar na comida. Sim, a palavra é exatamente esta: afundar. Já mergulhei em processos como este, já cheguei a meu limite duas vezes e hoje a sensação de que estou realmente mais amadurecida pra lidar com minha relação com a comida já está ficando mais clara. Estou mantendo minha dieta com todo o estresse, com toda a falta de tempo, com tudo. Sento lá na recepção do hospital, ligo o MP3 player e tento fugir através da música. Sim, sou humana. Quero fugir quando vejo que as coisas não vão bem, mas fujo agora para a música ou com a simples visão do mar no ônibus, quando passo pela Barra.

Só quero que tudo termine bem. Para ela, para mim, para minha família.

Abraços,

Jana.


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