Diga não à padronização e sim à pluralidade
Viver em um país como o Brasil, em que a pluralidade é visível nem sempre significa que este ponto é valorizado e ressaltado. O Brasil foi construído através de uma história de apagamentos, vide o nosso processo de colonização, que baseou-se primordialmente na imposição de uma cultura em relação a outra, por considerá-la inferior, ou seja, convivemos com uma visão de mundo em que aquilo que é considerado como diferente deve ser negado e rechaçado.
Há mais de quinhentos anos atrás, a história de apagamentos e imposição baseava-se basicamente na introjeção de uma língua, cultura, religião e costumes. Os portugueses aqui chegaram e a sua língua, sua religião oficial, sua cultura foram brutalmente impostas aos povos nativos e mais tarde aos povos introduzidos ao Brasil através da escravidão. Mas o que isso teria haver com um blog que trata de um processo de emagrecimento conjunto? Muito. Retroceder às nossas “raízes” talvez seja importante para nos fazer notar o quanto lidamos desde o início com uma história de apagamentos e homogeneização e de como simplesmente isso acaba parecendo natural, sem que de fato seja.
O impulso maior em tocar neste assunto foi perceber que estamos sendo bombardeados a todo momento com novos padrões, que são construídos como oficiais e que geram um mal estar quando aquele que é bombardeado está longe de ser o “padrão”. Nossos maiores colonizadores hoje são a mídia e a moda. As novelas, os programas, a moda ditam aquilo que devemos vestir, a cor do cabelo que usar, o corpo que devemos ter, as escolhas, que deixam de ser escolhas, que devemos fazer. Então vemos mulheres sofrendo por não combinarem com a roupa que a protagonista da novela das oito veste, ou por não serem tão altas e esguias, ou não puderem viver tomando champagne às 10 da manhã como nas novelas do Manoel Carlos.
É preciso ter cuidado para perceber se as escolhas e caminhos são realmente nossos ou se estamos apenas seguindo a maré para não nos sentirmos sós no meio de um oceano de informações. Fiz a pergunta a mim mesma: “Jana, você está emagrecendo para não ser marginalizada?”. Admito que muitas vezes pensei que emagrecendo eu seria menos julgada, menos apontada, menos excluída, mas não se enganem, emagrecer não te faz ficar ímune aos ataques e nem aos padrões bombardeados. Mesmo emagrecendo, serei julgada pelos meus posicionamentos, pelo meu discurso, pelas minhas tatuagens, pelos meus cabelos tingidos de vermelho, pela minha visão de mundo, pelos textos que escrevo, pelas vezes que calo, pelas vezes que grito, enfim, sempre haverá um que se incomode com a diferença. Hoje minha prioridade é saber que estou ganhando anos de vida, anos ao lado de quem amo, anos para ver e sentir o mundo à minha volta, anos para conhecer pessoas, para ser feliz ou para sofrer, afinal tudo isso é parte. Quero emagrecer por mim e por aqueles que me querem ao seu lado por mais um tempo. É isso o que quero, é isso o que espero de mim.
Antes de qualquer coisa, faça sempre a mesma pergunta. “Você quer isto por que razão? É desejo, vontade sua ou é apenas uma forma de ser igual?”. Que graça há em todos serem iguais? Deveríamos ser iguais nos direitos e deveres e não no nosso estar no mundo. Não somos artigos produzidos em escala industrial, somos indivíduos, somos únicos, nenhum haverá igual. Não quero ser tratada como uma caixa de leite, fabricada e embalada para ser similar. Quero ser respeitada na minha diferença e não esquecer que também devo respeitar aquilo que é diferença no outro. O tempo que talvez perdemos julgando aquilo que não é compreendido por nós, já que usamos nossa perspectiva para julgar, talvez fosse melhor empregado em perceber que precisamos aos poucos romper esta tradição de apagamentos e supressões, para talvez reinventarmos o nosso próprio futuro. É uma questão realemente de escolha. Poder escolher ou deixar-se levar sem questionar. Está em suas mãos.

October 22nd, 2007 at 10:29 am
Oi, minha querida… Estava com saudades. Adorei seu comentário. Sei que essa dieta é radical, mas é por tempo determinado. Um mês… A minha pressão subiu às alturas: o médico achou que eu tinha que perder peso rapidamente. É questão de saúde…
Beijos imensos. Boa semana!
October 22nd, 2007 at 12:33 pm
Oi Jana! Obrigada pela linda msg de apoio e força! realmente vc descreveu toda a situação de como é sentir-se excluido, esnobado, enojado..rs..
É mto ruim isso! Mas, precisamos lutar pra mudar esse quadro ne? E, pelo visto, vc e seu esposo estão lutando bravamente..mto legal saber que vcs estão juntos nessas caminhada, um dando força pro outro e colhendo resultados.
parabens aos dois!