Certa vez escrevi um post falando sobre a banalização do termo reeducação alimentar. Muitos falam que estão fazendo reeducação, o que na verdade não chega nem a ser uma reeducação na maioria dos casos, mas educação mesmo, tendo em vista que se os maus hábitos nos acompanharam durante toda uma vida, é porque não fomos instruídos, educados a cerca da importância de se ter uma alimentação, que atenda a todas as necessidades do corpo. E outras pessoas, em vez de (re)educação, usam a nomenclatura para mascarar dietas não balanceadas ou restritivas.

O corpo necessita diariamente de macronutrientes e também dos micronutrientes. Os macronutrientes são os carboidratos, proteínas e lipídeos e os micronutrientes são principalmente vitaminas e sais minerais. Alimentação balanceada é aquela que fornece todos os macronutrientes necessários diariamente e de onde extraímos também os micronutrientes. Os nutrientes possuem funções químicas específicas no organismo, como energética, reguladora, construtora por exemplo. A ausência de algum nutriente, que desempenhe papel fundamental nestas funções, acarreta obviamente em desequilíbrio destas mesmas funções. Daí a sensação de fraqueza, ao cortar o carboidrato por exemplo. Os carboidratos são a principal fonte de energia para o corpo. Nosso cerébro, por exemplo, funciona perfeitamente graças à glicose. Ao retirarmos o carboidrato da alimentação, estamos subtraindo a principal fonte de energia do corpo e ativando reservas energéticas não tão eficazes como os lipídeos, que sofrem oxidação durante o processo de cetose e as proteínas em último caso, que pode acarretar em perda de massa magra ou músculo. A oxidação dos lipídeos (gorduras) produz cetonas, que trata-se de uma substância tóxica para o organismo e que acaba sendo utilizada pelo corpo como energia emergencial na ausência da glicose.

O corte dos carboidratos nas dietas é uma das iniciativas errôneas entre tantas tomadas por pessoas que lutam contra o problema da obesidade. As questões referentes ao sobrepeso não se resume apenas a cortes, substituições ou até mesmo jejuns. Não se enfrenta a obesidade criando problemas em paralelo. O ideal é que as pessoas se conscientizem da necessidade de emagrecer com saúde, suprindo o corpo de todos os nutrientes necessários ao seu bom funcionamento. Há casos também que podem ter relação com questões hormonais e que devem ser investigadas pelo profissional da área.

Se o seu problema não é hormonal, mas sim relacionado diretamente com a alimentação, não transforme a reeducação, ou como disse anteriormente a educação mesmo, alimentar em um capítulo à parte na sua vida. A alimentação está presente a todo momento como um processo pelo qual seu corpo irá extrair as substâncias necessárias ao funcionamento do seu organismo até o prazer de degustar aquilo que gosta, de partilhar uma conversa acompanhada de um alimento saboroso. A alimentação extrapola sua função primária em nossas vidas e o importante é saber que através do equilíbrio e da moderação, não é necessário travar guerras consigo mesmo para viver bem, sem abrir mão também do prazer diante dos alimentos. Traga a necessidade de se alimentar de forma consciente, escolhendo os alimentos, descobrindo o que cada um tem a oferecer, como parte do seu dia a dia, como algo prazeroso, como uma descoberta incessante e experimental e não como um fardo a ser carregado, complicando o que poderia ser perfeitamente simplificado. Não abra mão de itens que você gosta e que podem não ser necessariamente saudáveis, mas trabalhe-se para entender que estes itens devem ser consumidos com moderação, em menor quantidade e em espaços de tempo maiores, dando lugar sempre àquilo que ajudará seu corpo a se manter saudável. Traga a educação alimentar como parte da vida, como algo a ser internalizado e não como uma experiência distanciada, da qual você quer se livrar o quanto antes.

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