Sou gordo, mas… Mas o que???
(Cara e caretas - R. Kioko)
Outro dia, eu estava passeando por algumas comunidades do orkut e algo me chamou bastante a atenção. Há várias (não são poucas não!!!!) comunidades voltadas para gordinhos, cujos títulos são sempre pontuados pela conjunção adversativa “mas”. “Sou gordinha, mas sou gatinha”, “Sou gordinha, mas faço gostoso (tosco isso!)”, “Sou gordinha, mas sou linda”, “Sou gordinha, mas sou feliz”, “Sou gorda, mas sou bonita”, e assim por diante. Não vai dar para listar a quantidade de comunidades que giram em torno do mesmo tema.
O que me deixa talvez mais estupefata é o fato de que as pessoas entram nessas comunidades! Se a intenção era levantar a auto-estima… Desculpe! Mas não é com uma palavra colocada estrategicamente no meio, para justificar nossa existência no mundo, que isso vai acontecer. O aparente inofensivo “mas”, tão majestosamente inserido no meio de duas afirmações, “sou gordinha” e “sou bonita”, não vem para acrescentar nada, mas para justificar o injustificável. “Sou gordinha, mas posso ser bonita, viu?”. Francamente! É assim que as pessoas se constroem para o mundo? Como alguém que precisa sempre colocar um pé atrás em relação à sua própria identidade? Parece até que se alguém questionar a beleza do indivíduo, ele terá como sair pela tangente porque o “mas” vai tirá-lo de uma aparente saia justa!
Para se lutar contra o preconceito, contra a marginalização, acredito que este não é o melhor caminho. Não é nos colocando em cima do muro que conseguiremos respeito. Aceitação por parte dos outros, não! Respeito. Se auto-referenciar desta forma, procurando justificativas para ser parte da sociedade, não ajudará ninguém a enfrentar a estupidez alheia, logo, nada contra as boas intenções destas comunidades, mas acredito que em vez do “mas”, tenhamos coragem de assumirmos nossas diversas identidades sempre com um caráter de adição envolvido. Sou gordinha e sou bonita, em vez de sou gordinha, mas sou bonita. A diferença pode parecer miníma, mas o impacto das palavras em nossa auto-estima é grande. Eu ainda vou mais longe. Para mim, o melhor é se despir de todos os rótulos e viver cada dia. No momento que nos rotulamos, limitamos a forma como nos vemos e como os outros nos vêem também. Quero ser múltipla, quero ser plural, mas se você ainda tem a necessidade de rotulagens, livre-se do pé atrás, do “mas” e assuma, principalmente, que você é tudo o que acredita ser, sem precisar de explicações e desculpas.
Jana.


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Oi Janaína!
Fazia tempo que não passava por aqui. Que bom que está cheio de novidades! Este é um dos poucos blogs que tratam o assunto com seriedade(poucos mesmo!).
Muitas vezes as próprias pessoas que são discriminadas acabam fazendo parte também do grupo que discrimina. Eu até perdi a paciência para falar de emagrecimento no blog e ter que “conviver” com tanta gente que só queria emagrecer para “ser bonita e feliz”.
Ah! Vi os posts de Porto Alegre no Jeguiando. Vocês conheceram a minha cidade melhor do que eu!
1 said this (August 6, 2009 at 9:18 pm)
Eu ja tinha percebido isso tb nas comunidades…..Parece que ser gordo e bonito fosse um contraste….como se uma caracteristica anulasse a outra. Parece uma justificação desnecessaria que grande parte das pessoas gordas precisam da a sociedade…..gostei muito do seu blog parabÉnsss
2 lela said this (August 8, 2009 at 1:26 am)
Oi Jana,
achei seu blog fazendo uma pesquisa no Google e concordo plenamente com o comentário da Ana Maria: seu blog é muito bem escrito, sem miguchês, sem muita “poluição visual”…rsrsrs
A respeito deste post, também concordo. O maior erro que nós podemos cometer é adiar nossa felicidade, nossa satisfação com nosso visual, enfim, nosso amor-próprio para quando formos magros.
Também estou tentando escrever um blog pra me ajudar, mas tem horas que perco a paciência para escrever, colocar coisas legais. Sei que ajuda…
Um beijo, parabéns!!!
3 said this (August 22, 2009 at 11:45 am)